No segundo ano consecutivo na volta à Portugal, será que Jorge Jesus fará do Benfica finalmente uma grande potência?
A temporada começa oficialmente para o Benfica nesta quarta (04), quando os encarnados vão até Moscou visitar o Spartak, pela terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O Spartak de um velho conhecido, Rui Vitória, mas, não é isso o que mais assusta ao torcedor benfiquista. O confronto não traz boas lembranças justamente porque foi nesta mesma fase que, no ano passado, o Benfica foi eliminado precocemente para os gregos do PAOK, que na época eram orientados por outro treinador português, Abel Ferreira.
Mas, a situação agora é outra e o que, de fato, se pode esperar do novo Benfica?

Antes de tudo, é inevitável não lembrar da frustrante temporada passada. Esse sentimento não foi criado somente pelo torcedor, mas até mesmo pelo discurso vindo de quem chegava. Logo na primeira entrevista coletiva, Jorge Jesus afirmou categoricamente: “Não vamos jogar o dobro, vamos jogar o triplo e arrasar”. Pois então, foi isso, junto ao investimento faraônico de quase 100 milhões de euros, que se esperava no mínimo um título para o lado vermelho de Lisboa. Como todos sabem, não foi isso que aconteceu.
Como ironia do destino, nessa pré-temporada, até o próprio presidente Luís Filipe Vieira, que foi pessoalmente até ao Brasil buscar Jorge Jesus, pediu demissão do cargo após ser revelado um esquema de corrupção. Agora, com Rui Costa assumindo a presidência do clube, Jorge Jesus terá o desafio de melhorar o retrospecto do Benfica tanto nas competições nacionais quanto recuperar o prestígio internacional.

Dentro de campo, o time permanece quase o mesmo. Dos 16 jogadores que disputaram a final da Taça de Portugal contra o Braga no dia 23/05, o último jogo da temporada passada, somente Nuno Tavares foi negociado com o Arsenal. E vale a pena dizer que o lateral não era peça frequente nos onze iniciais do time.
Ou seja, a espinha dorsal foi mantida. Aliás, pelo contrário, além de mantida, foi reforçada. O plantel foi melhorado com contratações importantes como a de João Mário, destaque do meio campo campeão pelo Sporting e a de Yaremchuk, o mais recente reforço a chegar em Lisboa e que se destacou na Eurocopa com dois gols e uma assistência em cinco jogos pela Ucrânia. Além deles, Rodrigo Pinho, artilheiro do Marítimo na última temporada, Meité, Gil Dias são peças que chegam para o elenco das águias. Sem contar o regresso de Florentino, Gedson, Carlos Vinícius, Jota e Ferro que estiveram emprestados e podem ser considerados reforços para a equipe.
Apesar dos reforços, duas posições ainda preocupam o torcedor. A lateral direita com Gilberto está longe de convencer e André Almeida ainda se recupera de lesão. Na baliza está a outra preocupação. Helton Leite parece ter a confiança de Jorge Jesus, mas ainda não transparece dentro de campo e Vlachodimos, relegado ao banco de reservas desde o erro no clássico contra o Sporting ainda na temporada passada, parece não ter mais chances. Pontos que são observados há algum tempo, mas que parecem não ser sanados neste início.
A verdade é que se espera um Benfica mais regular e que consiga mostrar em campo a qualidade técnica individual de seus jogadores. Com estes dois fatores combinados, as águias terão de tudo para chegar forte em todas as frentes que disputará. Mas, para isso, precisará passar por um Sporting muito mais forte, um combatente Porto e um guerreiro Braga.
Jorge Jesus disse na coletiva anterior ao jogo decisivo contra o Spartak: “Em relação ao ano passado há uma diferença: tinha cinco semanas de trabalho, neste tenho um ano e mais cinco semanas.” Ele agora terá o tempo que sempre pediu para treinar a equipe e será que surtirá efeito? Acompanharemos ao longo da temporada 2021/22.