Depois 120 minutos, com expulsão, virada, gols perdidos e muita emoção, o Porto perde por 3×2, mas avança de fase na Champions.
Nem mesmo o melhor profeta conseguiria prever o que aconteceria em Turim hoje. O Juventus Stadium foi palco de umas eliminatórias mais imprevisíveis e emocionante dos últimos anos, mesmo sem público. E começou cedo. Logo aos 2’, Mateus Uribe arrisca de longe. Szczęsny vê a bola passar ao lado, sem muito perigo, mas ali já dava para perceber que o Porto não ficaria com a vantagem debaixo do braço.
No minuto seguinte, a Juventus com um toque de ciúmes quis também ter a sua oportunidade. Morata cabeceia quase que a queima roupa para defesaça de Marchesín. Foi como um tiro que partiu da cabeça do atacante espanhol, que teve uma noite para esquecer. O Porto apostou nas suas laterais. Zaidu atormentou a vida de Cuadrado no primeiro tempo e, em uma das suas subidas, passou para Taremi, que acertou o travessão da Juventus.
Já dizia o ditado, água mole em pedra dura, tanto bate… até que fura. Em mais uma subida portista, Taremi é derrubado dentro da área e o juiz marca a grande penalidade. Lance discutível? Sim, mas houve um leve toque que o árbitro assinalou. Na marca da cal, Sérgio, como de costume, foi fatal. Fez o 1×0 que deu uma enorme vantagem ao Porto.

Até aqui um primeiro tempo de almanaque do Porto. Sérgio Conceição armou um esquema que consegui se defender bem e oferecer perigo ao adversário. No meio, Sérgio comandava, na defesa, Pepe interceptava todas e atrás Marchesín fechava tudo. Morata, mais uma vez, e Rabiot pararam no arqueiro argentino do Porto.
Mas algo mudou. Na volta do intervalo não foram apenas os lados que trocaram. O Porto, diferentemente do que havia feito anteriormente, se fechou de forma contundente e até mesmo, ouso dizer, desnecessária. Chiesa rompeu a linha de defesa e empatou a partida. 1×1 em um belo chute após passar por Manafá, que aliás não esteve tão bem na partida.
Aos 54’ mais um grande momento da partida com um protagonista: Mehdi Taremi. Como de costume está nos holofotes pelos gols marcados, mas dessa vez não. Cometeu uma falta já sem bola que lhe rendeu um amarelo e, no espaço de cerca de dois minutos, isolou a bola após o apito do árbitro. Segundo amarelo e, consequentemente, foi para o chuveiro mais cedo. Alguns podem dizer que foi exagero, mas já estava feito. As câmeras focavam Taremi que não acreditava no que acabava de fazer, estava incrédulo. Mas, na verdade, o atacante estava tão nervoso que pareceu um jovem no seu primeiro dia de estágio.
Não demorou muito para a Juventus virar. De novo ele, Chiesa. De cabeça, subiu sozinho para marcar o gol que levava a partida para a prorrogação. Novamente, Manafá observava o atacante da Velha Senhora marcar sem poder fazer muita coisa. Antes disso, o próprio Chiesa se adiantou a Marchesin e ficou de frente para a baliza sem goleiro até que apareceu Képler Laveran de Lima Ferreira, o Pepe. Como um gato, já diria Tadeu Schmidt, e tirou, ainda mesmo que deitado, a bola, que ia mansamente em direção ao gol.
Parecia uma questão de tempo mais um gol da equipe italiana para avançar na competição. O 2° tempo do Porto era tão irreconhecível que o primeiro remate na segunda etapa foi do zagueiro Sarr, de fora da área, já aos 82’. Parecia ter acordado o Dragão, que ainda teve minutos depois outra chance com Marega. A partir daqui o jogo ficou no famoso clima de aguardar o final da festa até que o árbitro apita o final dos 90’. Mais meia hora de jogo para definir quem avança.
O primeiro tempo da prorrogação passou com muita emoção, oportunidades de cada lado, mas o fantasma dos pênaltis pairava por Turim. Até que aos 115’, brilha a estrela de Sérgio Oliveira. Conseguiu uma falta na entrada da área, chutou por debaixo da barreira e marcou para delírio de todos os portistas ao redor do mundo. Ironicamente, a bola passou por debaixo de Cristiano Ronaldo e ainda tocou nas mãos de Szczęsny antes de entrar.
A Juventus precisava agora de 2 gols (por conta do critério de gol marcado fora de casa) e quase conseguiu. Dois minutos depois, Rabiot subiu totalmente sozinho para fazer o 3×2, mas não bastava. Fim de jogo e mais uma derrota frustrante para a equipe de Pirlo.
O Porto foi valente. Jogou 65’ com um jogador a menos e avançou. Contra um time financeiramente melhor, com mais investimento, mas quer saber? Isso pouco importa porque estamos falando de futebol e não de Fórmula 1 ou tênis. É o resultado de um time sem muitas estrelas, mas com muita dedicação e esforço. O incansável Tecatito, a classe de Sérgio Oliveira e o inacreditável Pepe foram fundamentais hoje.
Diferentemente da temporada de 2016/17 quando foi eliminado pela Juventus nas Oitavas da Champions, o Porto dá o troco e elimina os italianos. Agora, resta recuperar os ânimos, passar no cardiologista e aguardar o sorteio.
O sonho até chegar a Istambul continua.